Janeiro 2, 2008

Espiritualidade Brasileira

Quando pensei em escrever este post não sabia da existência de um novo livro com um  título parecido, O melhor da espiritualidade brasileira, é interessante que justamente neste momento mais pessoas, mais brasileiros, estão pensando e reconsiderando nossa tradição. 

É preciso fazer justiça e dizer que não é a nossa geração sozinha responsável por isto, as gerações anteriores, sobretudo a geração de nossos pais teve um papel fundamental na forma de ver a igreja contemporânea.  

Me refiro aos Vencedores por Cristo, ao Janires e o Rebanhão, aquelas músicas que meus pais cantavam na minha infância, como “é manhã pescador”, João Alexandre, Guilherme Kerr, etc

Mas mais ainda que música, me refiro ao próprio pensamento, aos pensadores, aos pastores, aos teólogos, etc, como disse Ricardo Gondim em sua carta desabafo,“…estou cansado de exemplos tirados de jogos de golfe ou beisebol ! ”; Ele próprio, Ed Renné, Caio Fábio, entre tantos outros brasileiros são exemplos disto.

Me lembro de um livro que o Sandro Baggio me emprestou, “Contextualização” ele mostrava como o cristianismo havia nascido na cultura judaica, crescido na cultura grega, se desenvolvido na cultura latina (romana), e como a reforma  protestante lhe deu uma cultura germânica, os avivamentos a cultura anglo-americana, e que depois de tudo isso chegou a nós brasileiros entre outros povos.  

Uma passagem engraçada era a dos missionários evangelizando os nativos americanos, e estes fazendo confusão com o nascimento de Cristo e o papai Noel, achando que os missionários adoravam a árvore de natal porque ficavam horas enfeitando-a, ou as cadeiras porque oravam de joelhos apoiados sobre elas, rs.

Em uma recente entrevista ao missionário e antropólogo Don Richardson, perguntaram o que ele teria feito de diferente com a experiência que tem hoje, Don respondeu que não teria ensinado hinos evangélicos às tribos, porque não fazia parte da cultura deles. Ele os havia colonizado !

Quero tratar aqui da nossa bagagem cultural evangélica, a cultura anglo-americana que adotamos, as músicas, os instrumentos, os rituais, a própria forma de se reunir…temos uma cultura rica fruto da miscigenação dos povos que formam a nação brasileira, temos uma musicalidade nata, temos um jeito diferente, brasileiro de fazer as coisas, não o “jeitinho” no sentido pejorativa, mas um modo de nos reunirmos de maneira mais informal, descontraída, de demonstrar afeto livremente.

E isto que é tão peculiar nosso, tem sido apagado por uma liturgia fria, sem vida, enlatada, “importada sem tropicalização”, servida a nós como se fosse a única forma de adoração aceita por Deus.

Este quadro tem mudado é verdade, nos últimos tempos temos mais liberdade, mas ainda temos uma mentalidade colonizada, e precisamos nos libertar para que a multiforme graça de Deus se manifeste em nós e para que tenhamos a consciência de anunciarmos as boas novas sem colonizar as pessoas e impor nossa cultura evangélica como única aceita por Deus.

Vou terminar este post de uma forma diferente, iniciando um novo assunto que está relacionado com o tema, a questão de lugar, dias e horários de reuniões e cultos, de ordem e disciplina versus liberdade, novamente “questionando os paradigmas da sociedade atual” ! agora  tambem no blogprofissional, acesse e confira ! 

Setembro 8, 2007

Da humanidade dos santos & Confissões de Ricardinho

 

Recentemente foi lançado um livro sobre madre Teresa de Calcutá, o livro se compõe basicamente das cartas que ela escreveu ao seu confessor e aos  seus superiores. Nelas a santa madre se confessa sem fé, sem sentir a presença de Deus, chama Jesus de “O Ausente”, diz que Deus a abandonou e que teme não dizer mais por medo de blasfemar, envolta num período de deserto espiritual a que São João da Cruz chamou de “noite escura da alma”. 

Não é exatamente sobre isto que quero falar, mas da humanidade dos santos, entendidos aqui não como pessoas beatificadas, canonizadas e consideradas como sobre-humanos ou super-crentes, acima dos demais, como madre Teresa. Falo de santos como o apóstolo Paulo chama os cristãos em suas cartas, poderia usar os termos justos, salvos, crentes… enfim me refiro aqueles se dizem cristãos, seguidores de cristo, que entregaram suas vidas a ele e que desejam viver por ele, pra ele, e nele ! 

Na minha caminhada cristã – e lá se vão alguns anos-  tenho visto tanto amigos próximos quanto eu mesmo tenho passado por provações, dúvidas e questionamentos, sobretudo nos últimos tempos. 

Neste momento me vem à mente uma música da Ana Carolina que diz  “A alegria do pecado ás vezes toma conta de mim, e é tão bom não ser divina…”

Sejamos francos ! quantas vezes não nos sentimos assim ? quantas vezes a alegria do pecado não toma conta de nós ? Quantas vezes não desejamos ardentemente o pecado ? alguém já disse que se o pecado fosse ruim ninguém praticaria.  

Me lembro que certa vez numa reunião no Refúgio do rock, o Claudinho falou algo como “Quem aqui não tem desejos (sexuais) que atire primeira pedra ! eu tenho !”,  em outra ocasião alguém comentou que vira uma revista erótica e  “não achou a menor graça”, o comentário geral foi “ou está sendo hipócrita ou tem um problema ainda mais sério !” 

Ah ! então você está de falando de pecado como sexo ?  Também ! mas não somente, discordo radicalmente dessa generalização que se faz de pecado = sexo, principalmente de pecado original= sexo. 

Mas então a que exatamente me refiro ?

Falo de homens santos como Davi que desejou a mulher do próximo, cometeu adultério e ainda assassinou o marido dela, ou como Pedro que negou a Cristo por três vezes, de Tomé que duvidou da sua ressureição, ou ainda como Paulo que chegou a desistir da própria vida ! 

Falo da humanidade de homens comuns que tem fé, mas que em certos momentos se vêem em dificuldades, não dificuldades externas, mas em luta com sua própria fé, em momentos de fraqueza, sim fraqueza ! homens que pecaram e que pecam ! sim cristãos pecam !    

Do lado de fora da “janela” as pessoas continuam nos vendo com ET’s  ou como hipócritas, será que estão certas ? Será posso fechar este post sem dar uma resposta ? acho que sim ! Mas em consideração aos novos na fé e a quem ainda não a aceitou ou entendeu, vou deixar aquilo que tem me trazido esperança. 

“Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.” I João 1.10 -2.1  

Julho 14, 2007

A primazia da Igreja Católica e os vegetarianos carnívoros

Certas pessoas nascem em uma família vegetariana, crescem sendo vegetarianas, estão acostumados a comer em restaurantes vegetarianos, ir a verduradas, comprar alimentos vegan, etc O círculo social delas é de pessoas vegetarianas, sua tradição é vegetariana, fazem até parte der associações vegetarianas, alguns são até mesmo ativistas de movimentos vegan ou dos direitos dos animais, etc

Existem certas diferenças entre eles, alguns são  ovolactovegetarianos, outros outros apenas vegetarianos, outros hare krishna, outros vegan, mas eles tem algo em comum, são todos vegetarianos,  tem até mesmo uns simpatizantes, que não comem apenas carne vermelha e alguns são straigh-edges também. Mas certo dia alguns resolvem que querem experimentar carne, vão a uma boa churrascaria, primeiro pedem apenas  carne branca, provam, gostam, passado algum tempo querem experimentar também carne vermelha, adoram, se deliciam, pra acompanhar pedem um bom vinho, continuam a ser vegetarianos, mas ao menos uma vez por semana vão a uma churrascaria, isto se repete por meses a fio, mas não abrem mão de serem chamadas de vegetarianos.Mas então o que fazer ? levam a situação para a associação ovolactovegetariana  e esta diz que não os reconhece como vegetarianos, a não ser que se comprometam em parar de comer carne, eles se negam então vão a associação vegetariana, e a reposta é a mesma, tentam uma mais liberal quem sabe os simpatizantes mas  estes se recusam a aceitar quem come carne vermelha, talvez cena straigh-edge os aceite, eles dizem que até aceitam mas não os acompanharão as churrascarias Assim desiludidos e desesperançados por não poder ser vegetarianos e comer carne vermelha, criam sua própria associação:

“Associação dos vegetarianos carnívoros”

Toda escolha implica em uma renúncia, ninguém é obrigado a ser vegetariano, mas não é possível se dizer vegetariano e comer carne.

Da mesma forma ninguém é obrigado a ser católico, evangélico, socialista, liberal, conservador, de direita, de esquerda, ou o que quer que seja.

Mas não é possível se afirmar como algo e ao mesmo tempo negá-lo em suas atitudes.

A igreja católica romana sempre afirmou ser a única e verdadeira igreja de Cristo na terra, em alguns momentos de forma mais contundente em outros menos, mas não é nenhuma surpresa, Particularmenente não concordo, tambem não afirmo como muitos que só a igreja evangélica está certa, mas que em Jesus Cristo, e só n’Ele há salvação como ele mesmo afirmou,  “disse Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” Joaõ 14.6

Graças a Deus vivemos num tempo e num país onde há liberdade de culto e de consciência, hoje em dia em muitos países isto não é realidade podemos  ter a convicção que quisermos, só não podemos impor a outras pessoas que nos aceitem como algo que não estamos dispostos a ser de fato. 

Julho 11, 2007

Aos carentes e destituídos

Ontem estava pensando sobre um assunto interessante, tenho trabalhado no ramo imobiliário há algum tempo e me acostumei a lidar com pessoas de diferentes classes sociais, desde o trabalhador humilde que tem algum dinherio do FGTS e quer financiar o primeiro apartamento ao investidor querendo comprar um terreno em local nobre para construir um hotel cinco estrelas.

Assim me acostumei a falar em altas cifras sem que pareça algo estranho, é normal eu dizer por exemplo que certo apartamento na Beiramar que custa cinco milhões de reais está barato em relação a outro de três milhões e meio por exemplo, ou quando comento com algum amigo sobre um novo condomínio que terá clube de campo, heliponto e ele  faz  uma cara de espanto perguntando: _ tem heliponto ?  eu digo: sim, tem; e ele se espanta com a naturalidade da resposta

Fico pensando nos comentários que ouço dos clientes, em como eles se vêem e vêem aos outros, por exemplo uma  pessoa de classe média que tem casa própria, carro, filhos na faculdade normalmente vê sua empregada doméstica que mora de aluguel como pobre e inferior, esta por sua vez vê os moradores das comunidades (morros ou favelas) como inferiores a si mesma e com certeza o morador destas comunidades encontra alguem pra ver como inferior, os sem teto, sem terra, mendigos, etc; Isto me lembra uma vez que fiz  um trabalho de ação social com o pessoal da igreja, um dos moradores de rua me explicava as diferenças entre eles e me contava da discriminação e sentimento de superioridade de certos grupos em relação a outros.

Do outro lado da moeda não é diferente, subindo um pouco na escala social, acima da classe média, vemos pessoas que se consideram superiores por já ter viajado pelo mundo, ter cursado duas ou três faculdades, falar várias linguas, achei engraçado saber de um cara que não gostava de ser chamado de empresário por entender que “atacadista” era algo superior a um “mero empresário“, rs

Engraçado tambem é ver como muitas pessoas tem uma definição estranha de riqueza e pobreza, alguns acham que quem tem casa própria, carro, não usa tranporte coletivo, etc é rico ! outros que tem sua casa, mais uma casa na praia, carros, filhos na faculdade,  viajando no exterior, fazendo intercâmbio, etc e se consideram pobres ! mas o que mais me impressionou foi ver alguem que tem uma grande casa em bairro nobre e mais carros, faculdades, um padrão de vida elevado afrmar que “os ricos deveriam repartir seus bens com os pobres“, não sei se ele atentou para o que estava dizendo mas creio que a sua empregada, a diarista, os moradores de comunidades, sem teto, sem terra, mendigos, diriam “então vende seus bens e divide conosco”, rs

Tá Ricardinho, você já tá viajando, aonde você quer chegar com isso ? sempre que se fala em relação ao cristianismo as pessoas tem em mente que é uma religião voltada para os pobres, para os carentes e destituídos, de fato a teologia da libertação afirma que a igreja ou o evangelho fez um opção pelos pobres, afinal Jesus disse “Bem aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus” Mt.5.3

De certa forma tem razão, Jesus realmente fez uma opção pelos carentes, de fato a mensagem Cristo é para os destítuídos, mas qual é a definição de “pobre”  de Deus ? a resposta é bem simples:

“Porque todos pecaram e carentes, destituídos estão da glória de Deus” Rm.3.23

Sim Jesus Cristo veio para os pobres, pobres de nós seres humanos !

Julho 11, 2007

…Em espírito e verdade

Certa vez Jesus se aproximou de uma mulher Samaritana e puxou conversa, a princípio a mulher não entendeu porque não era comum um homem falar publicamente com uma mulher desconhecida e tambem por os judeus não gostavam dos samaritanos, mas no meio da conversa ela disse: Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
Jesus respondeu: Mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Mas a hora vem e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem !

A continuação da conversa…

Em Jerusalém ou Samaria ? Em espírito e verdade !
Aos sábados ou domingos ?
Em espírito e verdade !
E durante a semana ? Em espírito e verdade !
No templo ou em casa ? Em espírito e verdade !
De manhã ou à noite ?
Em espírito e verdade !
Em pé ou sentado ? Em espírito e verdade !
E como se deve orar ? Em espírito e verdade !
Em outras línguas ou não ? Em espírito e verdade !
A liturgia deve ser espontânea ou reverente ? Em espírito e verdade !
Deve ter música ?
Em espírito e verdade !
Cantos tradicionais ou modernos ?
Em espírito e verdade !
Com instrumentos ou à capela ?
Em espírito e verdade !
Batendo palmas ou não ? Em espírito e verdade !                                                                 
Na igreja x ou y ? Em espírito e verdade !
De terno e gravata ou de bermuda e sandália ?
Em espírito e verdade !
Só homens ou mulheres também ?
Em espírito e verdade !
Mas, e as crianças ? Em espírito e verdade !
Mas e no trabalho ou estudo ?
Em espírito e verdade !
Mas e … 
Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.

Julho 11, 2007

REFÚGIO DO ROCK, O ESPAÇO CRISTÃO MAIS RADICAL DE TODOS !

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Pouca gente se lembra mas neste mês de maio comemoraríamos 14 anos de Refúgio do Rock, como um dos poucos remanescentes, faço questão de relembrar este trabalho que foi um marco no meio cristão e underground nacional.

Era o começo de 1993, o Sandro Baggio havia chegado a um ano e pouco de um trabalho de dois anos no navio Doulos da Operação Mobilização, entre muitas coisas que vira ao redor do mundo, especialmente na Europa pensou em reproduzir aqui um trabalhos com roqueiros que existia em Amsterdan num lugar chamado Steiger 14, uma espécie de hangar para barcos. 

Encontramos um galpão na Av. Nazareth quase em frente ao corpo de bombeiros, onde funcionava uma agência de veículos, de piso rústico preto e portões de grade com um breve recuo na frente, nos mudamos pra lá e pouco depois estávamos arrumando o espaço para o trabalho, fizemos um palco com cerca de um metro e meio,- me lembro de “varrer o palco com os cabelos” quando bangueava, rs- pouco antes de começar o Cláudio “Tibérius” e o Carlão que tocavam na banda “Devilcrusher” pediram pra ensaiar no local, chegaram por volta das 14 hs e quando começaram a tocar e o Carlão a cantar com vocal gutural, não demorou dois minutos para que dois vendedores da loja de carros ao lado entrassem correndo pedindo para diminuirmos o volume ou chamariam a polícia !

Estávamos arrumando a parte elétrica para a iluminação e eles ensaiando, eu operava a mesa de aúdio e na época curtia heavy, trash e eles tocando aquele death metal… um alicate que estava na minha mão caiu e quebrou ! e nós falamos que era por causa do som, só pra tirar onda, rsEntão no dia 14 de maio abriram-se os portões do Refúgio do Rock pela primeira vez, as bandas que inauguraram foram Devilcrusher e Justa Advertência, as calçadas e o canteiro central da Av. Nazareth costumavam ficar lotados de headbangers -vulgo metaleiros-, punks, straigh-edges, góticos, grunges… ás vezes parecia uma nuvem “negra” sobre o bairro ou então que brotavam do chão de tantos que apareciam de uma só vez, até carecas –skinheads – que estudavam na ETE-GV freqüentavam lá, uma vez achamos que ia rolar confusão mas ficou tudo na paz… figura era o Jota, um punk que sempre arrumava confusão e costumava jogar a jaqueta pro alto, que quase sempre caía na iluminação e dava trabalho pra tirar… 

Rolavam pelo menos dois shows a cada sexta, tocavam bandas de todos estilos desde Rock’nRoll até black metal – como estilo musical- as bandas que costumavam tocar no início do trabalho eram Metábole, Calvário, Martíria, Justa Advertência, Ruptura, Devilcrusher, entre outras.Quando houve o “Hollywood Rock” daquele ano fomos fazer a divulgação e um evento que iríamos realizar o “Refúgio Metal Fest”, foi muito engraçado, o termo White metal ainda era recente aqui no Brasil, teve gente que me perguntou: _White Metal ? não tem nada a ver com White Power não né ?

Rs, teve outro carinha que me falou:

_White Metal ! pô, já ouvi falar mas não sabia que tinha no Brasil… 

E assim começamos, fizemos este festival com as bandas Devilcrusher, Martíria, Metábole, Justa Advertência e Calvário, creio que foi o primeiro festival de metal cristão do país, também havia o “Rosa de Saron”uma banda de hard/heavy que fazia um som muito bom, se não me engano foi a primeira vez que uma banda católica tocou numa igreja evangélica ! sim, o Rosa de Saron era uma banda católica ! pra nós foi algo natural, mas na época com certeza foi uma quebra de paradigma no meio evangélico !

Nessa época havia o Christian Metal Force -CMF- do qual o Cláudio e o Carlão eram líderes, o Cláudio, o Sandro e o Christian do Justa Advertência editavam o fanzine White Metal Detonation, tinha tambem o Samuel Borges que sempre dava uma força e toda galera de campinas-SP, além do Justa tinha o pessoal do Ruptura que eu me lembre, nessa época veio uma cara de fora que era bem conhecido na cena metal, o professor de guitarra Marcos Mantovani, o Marcão…, o Roney que estava no CMF veio pro Refúgio e o trabalho começou a crescer e ficar conhecido nacionalmente. Fizemos o I White Metal Fest com bandas locais e de outros estados, das de fora me lembro de Afterdeath-ES e Necromanicide-RJ, no show deles aconteceu uma coisa muito engraçada, o vocalista fazia várias performances com uma Bíblia, caveira, fogo, espada, numa dessas ele brandindo a espada sem querer cortou o lábio do guitarrista que teve que ser levado ao pronto-socorro, quem o levou foi o batera da banda Xavier, um negão com cabelo comprido e o Marcão que na época alem de cabelo comprido, tinha uma barba enorme e naquela dia a Míria tinha feito duas tranças nele, resultado parecia um viking e lá foram os três, chegando no pronto socorro a enfermeira disse:
_ já sei foi briga né ? vocês estavam brigando…
_ não, não a gente estava na igreja…
_ na igreja ? vocês ? e como isso aconteceu ?
_ com uma espada…
_ quê ? uma espada ? numa igreja ? vocês ? Rsss

O Marcão contando isso depois foi muito hilário, os caras do Tormented Death-PR tambem estavam lá, veio gente do Brasil inteiro pra ver este que foi primeiro grande festival nacional do underground cristão, as portas da igreja para estes trabalhos foram escancaradas, em todos os lugares estes ministérios começaram a ser reconhecidos, todo mundo se conhecia ao menos de nome, ouvíamos falar do pessoal do Rio, do Enoque, S8, o Serginho que era de lá começou a freqüentar também, o Sandro que era um grande amigo do Fábio de BH,-Belo horizonte- falava com ele direto, ele ia nos shows quando estava em sampa, eu tive a oportunidade de ir junto com o Marcão, o Paulinho e o Ricardi pra BH e passar um tempo com o Pr.Fábio, o pessoal de lá vinha pra cá, e mantínhamos uma amizade e como disse o Sandro a um tempo atrás uma certa inocência…

Depois houveram várias outras coisas legais que aconteceram, e outras nem tanto, gravamos o disco do Refúgio, uma coletânea com várias bandas do Brasil, teve o show do Tourniquet uma banda de trash dos USA famosa na cena mundial com cobertura das principais revistas como RockBrigade, Roadie Crew, depois houve o I Fórum White Metal, o tributo ao Vengenace Rising, ao Seventh Angel, -ficou faltando um ao Trouble, rs,-nessa época a revista Veja chegou a fazer uma reportagem sobre o Refúgio intitulada “O ESPAÇO CRISTÃO MAIS RADICAL DE TODOS !” que infelizmente não foi publicada, não sei bem porque, aconteceram algumas coisas ruins também, veio a lei do silêncio e não tínhamos tratamento acústico, então paramos com o trabalho por um bom tempo…

Depois de alguns anos os trabalhos haviam crescido por toda parte, bandas tinham mudado, pessoas tinham saído, viajado, então mudamos também de estratégia, o Devilcrusher se tornou Berith, o Refúgio como trabalho acabou, fizemos um show de despedida, e começamos um trabalho com uma nova visão, o Berith fazia shows tocava com bandas não cristãs, eu fui roadie deles durante todo esse tempo, e o pessoal do Refúgio com mais alguns irmãos começamos um novo trabalho na época a Comunidade Ágape, depois Projeto Ágape, hoje Projeto 242, aberto a todo tipo de pessoa, roqueiros ou não, mas como mesmo espírito que tínhamos no Refúgio, aceitar as pessoas como elas são e deixar que o Espírito Santo fizesse o resto.

Éramos como uma grande tribo de uma grande nação metal cristã, no Refúgio do Rock conheci pessoas muito especiais, algumas que me acompanham até hoje como o Sandro, o Cláudio, fiz muitos amigos cheguei a ser padrinho de casamento de alguns, alguns reencontrei recentemente, alguns não estão mais conosco, foram para o Pai,… por isso não posso deixar esta data passar em branco…

Esta é minha singela homenagem a todos aqueles que fizeram do Refúgio do Rock uma realidade e deram sua contribuição para um importante capítulo da história das missões urbanas no Brasil.

Parabéns a todos nós do Refúgio do Rock, Quem tem ouvidos, ouça !

Julho 11, 2007

Cristianismo Pagão, uma farpa em nossas mentes !

  

Em Matrix o filme, Morpheus diz a Neo algo como “…você tem vivido sua vida normalmente todos os dias, mas alguma coisa lhe diz que há algo errado, como uma farpa em sua mente, te deixando louco…”

É mais ou menos assim que tenho me sentido ao ler Cristianismo Pagão e Reconsiderando o Odre de Frank Viola, dois livros perturbadores, o primeiro mostra como práticas do judaísmo e principalmente do paganismo entraram na igreja e se perpetuam até hoje e o segundo mostra como eram as práticas usuais da igreja primitiva.

É pertubardor saber que a maior parte das nossas práticas eclesiáticas não tem origem bíblica, que vivemos um cristianismo muito distante daquele vivido pela igreja do primeiro século, que nos afastamos tanto da simplicidade da Igreja primitiva que hoje o que que vivemos é algo complexo, cheio de tradições, de fórmulas humanas e o que sobrou de original da Igreja é uma pequena centelha.

Mas aí reside a esperança, esta centelha não se apagou, é pequena, mas é possível vê-la em praticamente todas igrejas, “continuamos com nosso modo viver a Igreja normalmente, mas Algo nos diz que estamos errados, nos incomodando, como uma farpa em nossas mentes nos deixando loucos“, em todos lugares há um clamor por uma volta da Igreja ao primeiro amor e arrisco dizer que ainda neste século teremos uma nova reforma cristã.

Talvez pensem que eu estou exagerando, mas mesmo eu que tenho pensado assim nos últimos tempos e por isso buscado este tipo de informação, tenho me estarrecido diante de tamanha distorção nas nossas práticas eclesiásticas, é complicado se dar conta de que boa parte daquilo que tenho vivido nos últimos anos não tem origem cristã. Aqui cabe um esclarecimento não me refiro às doutrinas essenciais, mas a práticas usuais e liturgia basicamente, coisas como sermão, pastor, templo, etc.

Alguem pode perguntar: Porque se preocupar com coisas assim ? volto a bater na mesma tecla, não se trata de julgar o passado, mas de refletir, de pensar e repensar nossa maneira de ser, ter, fazer e viver igreja.
Não podemos mais nos dar ao luxo de repetir os erros do passado em nome da tradição, reproduzir um comportamento herdado sem questionar seu valor, aderir a novas modas evangélicas sem consultar o modelo da Igreja cristã primitiva.

Particularmente gosto de uma abordagem das escrituras que interpreta o VT e o NT a partir da cruz e de Cristo, creio que tambem devemos analisar nossas práticas eclesiais a partir do modelo da igreja primitiva, mas não apenas de boca, devemos estudá-la a fundo.
Tambem não significa que devemos ter uma liturgia rígida sem espaço pra criatividade, que não podemos fazer uso de novas tecnologias ou que não podemos nos contextualizar a cultura local, muito pelo contrário, significa dar espaço para a igreja agir como o Espírito Santo a conduzir, livres das amarras de tradições humanas que nos prendem.

Para finalizar tomo emprestadas as palavras do autor para fazer um convite assustador

Agora convido o leitor seguir-me por uma estrada inédita. Trata-se de uma terrível jornada onde você será obrigado a responder questões que provavelmente nunca entraram em seu pensamento consciente. Questões bem difíceis de responder, recorrentes, surpreendentes. Você será confrontado com respostas perturbadoras. Respostas que deixarão você diante das melhores coisas que um cristão pode conhecer…
…Se você não está disposto a examinar seriamente seu cristianismo, não mais leia estas páginas. Doe imediatamente este livro a algum sebo! Livre-se do incômodo de ter sua vida cristã virada de cabeça para baixo.

 

Não obstante, se você opta por “tomar a pastilha rubra” e averiguar “até onde vai a toca do coelho”, Se você quer aprender a verdadeira história das origens de suas práticas cristãs, se está disposto a desvendar o véu da igreja moderna e desafiar fortemente suas tradicionais pressuposições, então você encontrará aqui uma obra perturbadora, informativa e possivelmente transformadora de vida.

 

 

 

 

 

A quem se interessar:
Pagan Christianity
Rethinking The Wineskin
 

 Ainda não foram publicados em português, mas já existe a versão online:
Cristianismo_Pagao

Reconsiderando o Odre 

Julho 11, 2007

Pessach, a páscoa judaica e a liturgia evangélica

 

No último domingo comemoramos a Pessach, a páscoa judaica em nossa comunidade, vestidos a caráter como os antigos hebreus, nos dividimos em doze grupos conforme as características com que cada um se identificava dentre as doze tribos de Israel relatadas em Gn.48, comemos pães asmos com raiz forte e carneiro assado, houve uma explanação sobre o que tudo aquilo simbolizava para os hebreus da época e para nós hoje, foi muito interessante, certa amiga minha teria adorado, já havia participado de uma pessach no Projeto 242, mas essa foi um pouco diferente, no entanto eu gostaria de abordar aqui um outro aspecto do que ocorreu e que me chamou a atenção.

Nos reunimos no salão do hotel que usamos para os cultos, não usamos cadeiras ou bancos, nos sentamos no chão em volta de mesas baixas, também não usamos palco ou púlpito, os irmãos que estavam com a palavra falaram sentados ao chão como todos, não foi preciso equipe de louvor, somente duas pessoas tocando alternadamente um único violão, não foi necessário equipamento de áudio, nem mesmo um microfone foi usado ! houve um breve período de oração silenciosa, a ceia foi servida nos mesmos moldes e em seguida houve um período de celebração onde podia-se cantar, dançar, pular, enfim… agir com liberdade no espírito, estas foram algumas coisas que me chamaram a atenção além do que foi ensinado.

Mas, porquê ? no post “Basta a igreja mudar do templo pra casa ?” descrevo um culto evangélico nos moldes atuais, a questão é que realizamos um culto onde a liturgia foge completamente ao que estamos acostumados e nada do que julgamos necessário – palco, púlpito, áudio, retroprojetor, etc- precisou ser usado, não estou afirmando que no culto não deveria ter cadeiras por exemplo, não sejamos ridículos, apenas sou testemunha de que é possível, mesmo no “templo”, fugir aos moldes eclesiásticos tradicionais e ainda assim manter a essência, mais uma vez o que questiono são os condicionamentos a que fomos submetidos, a necessidade de se romper com eles e a completa suficiência de uma reunião simples sem a interferência de fórmulas humanas e onde a única regra para a adoração, como disse Jesus é que esta seja…”em espírito e em verdade“.

Julho 11, 2007

Mas, e as crianças ? – A família de Jesus

Um dos obstáculos que se coloca perante a igreja nos lares é o fato de não haver um local apropriado para as crianças, como berçário e lugares onde elas possam ser companhadas enquanto os pais estão “no culto”. Creio que isso se deve ao paradigma de que, como disse ainda estamos acostumados a pensar dentro de modelos padrão.

Aos que perguntam: Mas, e as crianças ? eu respondo com uma outra pergunta: E na sua família como é ? você costuma se reunir em família ? não necessariamente em uma grande ceia de natal ou ano novo, mas já levou seus filhos na casa dos seus pais ? se encontrou com seus irmãos, tios, sobrinhos ? o que acontece numa ocasião dessas ? mas, e as crianças ? alguém se preocupa em ter um lugar com horário específico, de preferência com direção de pedagogos para deixar os filhos nas casas dos avós ?  não ? porque ? ah ! porque é sua família ? mas os pequenos não ficam atrapalhando a conversa dos adultos ? ah! tem aquela tia que tá de olho neles né ? e o tio que inventa sempre umas coisas pra distrair a criançada, mas também não tem aquele que põe um dvd com uma história legal e o outro que ensina uma brincadeira nova ?

Agora eu pergunto porque na família de Jesus deveria ser diferente ?  sim porque uma das comparações que a Bíblia faz a igreja é como família e é isso que de fato ela é em essência ! Certa vez disseram a Jesus “Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo. Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos ? E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe.”

Mas e as crianças ?  Qual o problema em o pregador ser interrompido pelo filho pequeno ? vai tirar a atenção, vai dispersar as pessoas ? mas o que conta mais, as belas palavras ditas pelo pregador ou seu exemplo como pai ? de que adianta uma pregação bem feita, um estudo bíblico exaustivo, um período de oração intenso se a vida, as atitudes e principalmente o amor não puder ser manifesto a qualquer momento, sem protocolos, sem etiqueta, sem estar no programa ?  

Mas devemos fazer tudo com ordem e decência !  Claro que sim, não estou dizendo que uma reunião de leitura ou de oração deve virar brincadeira de criança, mas ás vezes no zêlo de querer fazer tudo nos conformes nos tornamos insensíveis como os discípulos de Jesus e queremos ser mais santos que Ele que disse: “deixai vir a mim as criançinhas”  !

Julho 11, 2007

Basta a igreja mudar do templo pra casa ?

Continuando nesta toada, e como conseqüência natural da outra questão – Quem precisa de templos ? – resta questionar se o simples fato de a igreja deixar de se reunir em templos e passar a se reunir em casas soluciona o problema ou os problemas.

Creio que não, embora creia também que o fato de se reunir em casa diminui consideravelmente as chances de envolvimento numa estrutura rígida que pouco ou nada tem a ver com a vida da igreja primitiva, basta dar uma rápida olhada em nossos modelos de culto, com pouquíssimas variações podemos descrever um culto evangélico nos seguintes termos:

Assim que se chega a igreja -templo ou casa- se é recebido por um ou mais sorridentes “diáconos”, ou seja qual for o nome que se dá, que entrega um boletim ou algo parecido e indica um lugar para se sentar, assim que a maioria está acomodada, o “ministro de louvor” sobe ao palco, púlpito, tablado e diz algumas palavras de recepção convida a oração e chama os músicos que talvez sejam a esposa, o filho, a filha, o futuro genro para tocar algumas músicas, talvez haja um período de oração no meio dessas músicas e então o Pastor vem e fala à congregação, cita um ou dois versículos bíblicos -Ml.3.10 é o preferido- e convida o povo a dar o dízimo e as ofertas, assim que acaba ele dá alguns avisos e chama o pregador, quando não é ele mesmo que novamente faz um breve oração – ás vezes não tão breve assim- e pede para os irmãos abrirem a Bíblia, se for no VT provavelmente será sobre Abraão, Moisés, Davi, ou outros mais populares, os profetas menores como Sofonias, Obadias, Oséias parece que nem existiram, se for no NT, raramente será em Tiago, Tito, Filemon, Judas, o sermão dura cerca de 45 minutos, e se encerra, talvez com mais uma ou duas músicas.

Peraí ! você já está exagerando ! agora vai dizer que isso tudo está errado também ? Como eu tenho dito, não se trata de julgar o passado, mas de refletir, de pensar e repensar a nossa maneira de ser, ter, fazer e viver a igreja ! Creio que um dos fatos mais evidentes em qualquer igreja é o problema ou os problemas com o “ministério de louvor” ou como diria um amigo meu, departamento de música, quantos de nós já não estivemos envolvidos direta ou indiretamente nestes ministérios, e o que temos presenciado na maioria dos casos ? problemas de ego, indisciplina, insubmissão, competição, etc;         Ah ! mas isso tem em todo lugar ! é verdade, mas quem já freqüentou igrejas por algum tempo sabe do que estou falando, não vamos tapar o sol com a peneira, Marcos Witt, conhecido líder de louvor cristão escreveu um livro chamado “Como lidar com esses músicos ?” que trata exclusivamente desta questão, mostrando a relevância que este assunto tem nas igrejas de hoje.

Mas então o que fazer ? tenho pensado e comparado as reuniões que temos no templo com os encontros informais em casas, no primeiro existem os músicos, ministério de louvor ou “levitas” responsáveis pelo louvor e adoração no período do culto, técnicos de áudio responsáveis por “fazer ressoar os instrumentos em todo tabernáculo”, e quem está falando é um técnico apaixonado por áudio ! na maioria dos casos estes irmãos se reúnem durante a semana ou antes do culto para ensaiar, passar o som, definir o repertório, etc, já no segundo caso as pessoas apenas estão ali descontraídas, um pega um violão, outro qualquer instrumento de percussão, outro puxa uma música e de repente todos estão cantando e louvando, sem necessidade de equipamento de áudio – que pena ! rs – de ensaio, de “levitas”, de líderes, etc, apenas a igreja reunida fazendo conforme diz a palavra: quando vos reunirem um tem salmos, outro louvores, outro profecia, outro palavra… este é um pequeno exemplo de como reunião em casa pode contribuir para uma vida cristã mais próxima da igreja primitiva.

Mas não para aí, também existem igrejas que se reúnem em casa e apenas reproduzem o modelo eclesiástico, e outras igrejas que se reúnem em templos, mas que procuram ter uma vivência maior de comunhão, Mas então por que você está falando disso ? Porque embora eu acredite na sinceridade dos irmãos que se reúnem em templos e eu mesmo ainda me reúno assim no momento, acredito que sem a estrutura rígida do templo, estaremos mais livres para adorar em espírito e em verdade, e talvez em um futuro não muito distante meus filhos possam viver uma realidade eclesiástica diferente daquela que tenho vivido, e espero poder ver esse dia e não somente ver, mas no que depender de mim contribuir para que esse dia chegue.