
Ultimamente tenho refletido, entre outras coisas, sobre o fato de as igrejas cristãs se reunirem em templos, não importa se são catedrais góticas católicas, mega-templos neopentecostais, igrejas tradicionais reformadas, pequenas congregações pentecostais, etc todas elas usam um espaço alugado, comprado, construído para suas reuniões; também não me refiro apenas as grandes congregações de 200, 300, 500 membros, mas até mesmo as igrejas menores de 30, 40, 50 membros assim que crescem um pouco já pensam em alugar um lugar pra se reunir, e aí vem a questão, porque ?
O primeiro aspecto é bíblico: existe alguma ordem explícita na bíblia para que se compre ou construa templos ? existe alguma direção de Jesus para sua igreja para que se ajuntem em grandes grupos localizados num só lugar ? lembrando-se que não devemos usar o Antigo Testamento para justificar atos da igreja que é uma instituição do Novo Testamento.
O segundo aspecto é histórico: sempre foi assim ? e aí temos a surpresa de saber que não ! embora por mais de um milênio e meio a tradição seja de grandes templos, nos primeiros 300 anos da era cristã, a igreja se reunia em casas, quando não nas catacumbas durante os períodos de perseguição, é verdade que a igreja de Jerusalém também se reunia no pátio externo do templo e que os judeus convertidos e gentios prosélitos muitas vezes se reuniam nas sinagogas, assim como Paulo ensinou por dois anos na escola de Tirano em Éfeso, mas parece claro também que não havia uma regra do tipo “deve ser assim”, e que a prática mais comum era o de se reunirem em casas.
O terceiro aspecto é o da necessidade: precisamos realmente de lugares pra reunir um grupo de 50 pessoas ou mais ? temos real necessidade disto ? não haveria um outro modo de ter, ser, fazer e viver a igreja ? aos que dirão não, pergunto: como a igreja caminhou assim durante três séculos ? aos que dirão sim, resta-nos a pergunta: como ?
Um quarto aspecto é o da praticidade: o que poderia ser feito com o dinheiro gasto em aluguel, compra, construção, água, luz, telefone, por exemplo ? será que não poderíamos preparar, treinar, enviar e sustentar mais missionários no campo ? será que não poderíamos ajudar mais e melhor as pessoas necessitadas, principalmente aos domésticos da fé ? Mas além da questão financeira, será que sem as preocupações com prédio, iptu, caseiro, etc não haveria menos rigidez nas estruturas e lideranças eclesiásticas e conseqüentemente mais tempo para se dedicar a palavra, ao ensino, ao pastoreio -cuidado-, para visitar as pessoas, conhecê-las mais profundamente ? mais que isso, será que com isto em mente não deixaríamos de colocar toda responsabilidade nas costas do pastor e assumir nossa responsabilidade para com os irmãos ? e talvez os pastores não se sentissem tão “donos da igreja” visto que estão lá pra servir, e o que quiser ser o primeiro deve ser o que mais serve aos irmãos ? Por fim visto que não há nenhuma ordem ou ensino bíblico explícito de como a igreja deve se reunir -no sentido de lugar físico-, visto que nem sempre foi assim, ou seja é possível ser diferente, visto que não temos necessidade de que seja da mesma forma e que do ponto de vista prático não parece ser a melhor opção, a pergunta que não quer calar é: Porque ? Porque continuamos a reproduzir um modelo sem se questionar ? somente porque aprendemos assim ? porque nas últimas gerações foi assim ? porque estamos tão acostumados que não imaginamos a possibilidade de ser diferente ?Reconheço que o peso de uma tradição de 1.700 anos é gigantesco e nem mesmo a reforma protestante conseguiu quebrá-la , embora tenha mudado muita coisa é possível que os reformadores nem tenham se dado conta disto, tal o condicionamento de suas mentes ao modelo vigente, e nós hoje também estamos condicionados, hoje é impossível se dissociar a igreja cristã de templos, sejam eles pequenas casinhas com a simplória placa na frente ou mega-templos. Basta fazer um teste simples: qual a primeira imagem que te vem a mente quando lê a palavra IGREJA ? provavelmente foi um prédio certo ? isso prova o quanto estamos condicionados.Em 313 d.C o imperador Constantino declarou o cristianismo como a religião oficial do Império Romano e ordenou a restauração das propriedades confiscadas dos cristãos, então foram construídas igrejas em Jerusalém, Belém, Constantinopla, e muitos dos templos pagãos foram usados para abrigar igrejas, trocando em miúdos desde que a igreja (instituição humana) se tornou “Amante do estado” – porque a verdadeira Igreja (instituição divina) é a “Noiva de Cristo” – e depois com a queda do império romano quando a igreja substituiu o estado, o templo passou a ser mais importante que a comunhão e isto só tem se perpetuado, como eu disse, são 1.700 anos de tradição, não creio que seja fácil mudar esse paradigma, mas vejamos a reforma protestante, que outros paradigmas de 1.200 anos ela contestou com êxito e que seriam inimagináveis na época ? missa rezada em latim, clero hierarquizado, celibato obrigatório para os clérigos, leitura da bíblia somente por clérigos, infalibilidade papal, interpretação das escrituras pelo papa, o papa como intermediário entre Deus e os homens, etc. Estes são só alguns exemplos do que era considerado normal, os reformadores foram considerados hereges por se opor a isto.
Quanto a questão dos ensinos heréticos, digo que a igreja primitiva tinha os mesmos problemas e os resolviam, quando houve a questão entre os judeus convertidos querendo que os gentios observassem os costumes judeus para serem aceitos o que fizeram ? os apóstolos reuniram-se em Jerusalém e formaram uma assembléia para discutir este assunto e foi decidido que não iriam impor sobre os gentios costumes judaicos, todos eles freqüentavam o mesmo templo ? não ! muitos eram até mesmo de outros países, falavam outras línguas, tinham costumes diferentes !;
Basta olhar para a igreja de hoje e ver o quanto de heresia e até mesmo de seitas entram em nossos arraiais, antigamente os falsos ensinos eram logo identificados como seitas, depois as heresias começaram a vir com certas denominações, hoje em dia em todas as denominações é possível encontrar ensinos errôneos, heresias e algumas chegam a ser seitas mesmo, logo o que podemos entender é que nem grupos pequenos são mais vulneráveis a ensinos heréticos que grandes grupos reunidos num só lugar, nem estes últimos são mais qualificados para refutar os falsos ensinos, a solução para este problema não está no templo, no tamanho dele ou no número de pessoas que reúnem em um mesmo lugar, mas no ensino sadio das escrituras, no livre exame, na preparação, no conhecimento mínimo daquilo que se crê – e eu sou um dos maiores defensores da apologética.
Não estou sugerindo que se faça uma revolução, sou um reformista, não estou dizendo que devemos todos deixar de ir aos templos neste mesmo momento e se reunir nas casas, também que não estou dizendo que se reunir em lugares assim seja errado, pecado, que não se possa fazer isso, mas questiono a necessidade disso, simplesmente não é útil. Também não se trata como pode parecer de julgar o passado, mas de pensar e repensar nossos conceitos para o futuro.
Imagine que você sua esposa e filhos sejam enviados para começar um trabalho missionário, talvez com mais alguns irmãos, imagine dez pessoas no total, vocês começam um trabalho de evangelismo em suas próprias casas e depois de algum tempo algumas pessoas se convertem, a igreja cresce a casa começa a ficar apertada, quando se dão conta tem perto de 50 pessoas entre adultos e crianças, missionários, novos convertidos e visitantes, e então alguém diz: vamos alugar um lugar maior ! precisamos arrecadar fundos para pagar aluguel, contas, etc, e quem ficará responsável ? e enquanto quase todo mundo já esta discutindo que “cargo” ocupar na nova igreja, alguém se levanta e diz:
Peraí ! nós precisamos mesmo de tudo isso ? e se apenas dividíssemos esse grupo grande em duas casas com um missionário em cada uma delas, mas mantivéssemos a comunhão e de repente uma ou duas vezes por mês nos reuníssemos em algum lugar grande ? podemos alugar o salão de um hotel por hora, ou fazer um encontro na praia, num sítio de algum irmão, ou numa casa grande, será que é tão impossível assim ?
Recentemente eu tenho lido, ouvido, visto, conversado e tomado conhecimento de comunidades no mundo inteiro que tem questionado isso, e nos últimos meses quando olho para um desses templos o que me vem a mente é: o que isso tem a ver com cristianismo ? não consigo mais fazer a relação entre templo e cristianismo. Gostaria de dividir essa inquietação santa com vocês, e perguntar: e aí o que acham ?
Não tenho respostas prontas meus irmãos, como falei isto tem me inquietado e quero dividir isto com vocês, só que neste momento creio ser totalmente viável uma igreja sem templos, e apesar de a princípio não saber como fazer, tenho a coragem de tentar o novo, o desconhecido e de resgatar a simplicidade da igreja primitiva.
7 Comentários
Julho 11, 2007 às 12:28 am
Marcos Paulo
Março 9th, 2007 at 5:46 pm
Parabens! Nada a retocar senão sua afirmação de que o Cristinismop foi fundado por Jesus, o que não foi foi fundado por Constantino. Ora Jesus ao que parece não fundou o Cirstianismo e nem templos eram sua ideia visto que afirmou a não nescessidade de templos, quando diz a mulher samaritana que enm noi templo
“Deus é espírito e importa que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” João 4: 24.”
Correto? Alias o motivo da morte Dele é a expulsão dos Mercadores da fé da Templo. Se fosse hoje?
O Cristo do Cristianismo vs o Cristo de Deus.Nossa! Parece final do Vale-tudo Cósmico rssrs!Bom artigo parabens!
Julho 11, 2007 às 12:56 am
Olá Ricardo!
Uma outra perspectiva que não pode ser ignorada é: “Por que os cristão se reuniam em casas, e não mais em templos?”. A resposta é clara, é porque eles eram perseguidos, não havia como existir grandes reuniões. A partir do momento que não foram mais perseguidos, logo se ajuntaram em grandes congregações. Sob este ponto de vista, não podemos afirmar que a igreja se reunia em pequenos grupos só porque era melhor, mas sim porque era uma necessidade do momento.
Não quero, no entanto, usar isso como refutação da sua argumentação e artigo. Apenas lançar um foco diferente sobre o assunto, atitude que acredito sempre seja saudável em qualquer reflexão. Vou colocar meus contrapontos e pensamentos que vão de encontro ao seu texto, mas reafirmo que concordo com muito da sua argumentação e conclusões. Apenas quero incitar o debate sob diversas óticas.
Gostei de suas colocações, muitos são questionamentos que me inquietam também.
Penso, no entanto, que a instituição é sim menos vulnerável à heresias. Não inabalável, mas menos vulnerável. Sou evangélico de confissão luterana, e na minha opinião as vezes somos (nós “luteranos”) tão criteriosos e cuidadosos que passamos do limite para o outro extremo, não dando abertura para coisas boas, ou seja, nem sempre isso é bom. Mas de maneira geral, a instituição formalizada dá menos chance a “ventos de doutrina”.
Na época da igreja primitiva, a igreja como um todo era menor do que muitas das nossas igrejas de hoje em dia. Os apóstolos ficavam de olho nelas, e de certa forma davam conta do recado. As igrejas não estavam abandonadas à sua sorte e rumos próprios, pois mesmo que não existia formalização de uma instituição, existia quem coordenasse e cuidasse de tudo. Hoje, quem seriam estes apóstolos? E como dariam conta de tantas “igrejas em casas”? Podemos mesmo aplicar o mesmo modelo?
No entanto, até que ponto a igreja institucionalizada que temos hoje é necessária? Precisa ser tão aparelhada? Tendo a pensar que o ponto ideal é intermediário. Nem o modelo primitivo é adequado a nossos tempos, nem o modelo atual. Uma igreja grande, com liderança e organização, é importante, sob o ponto de vista de ajudar na preservação da unidade, além de evitar os “ventos de doutrina” já citados. Mas o foco do trabalho missionário, da reunião de estudo, de louvor, deveria ser focada mais em grupos. Acredito que o trabalho que muitas igrejas tem feito, de “igreja em células” (ou como nós luteranos chamamos, “grupos domiciliares”), vêm neste sentido, de juntar as boas coisas de cada um dos extremos.
Para não me alongar demais, fico por aqui. Mas acho qeu podemos apforundar a reflexão, sem pressa, afinal já se passaram 1700 anos assim, o que são mais alguns dias?
[]’s
Cristian
Julho 14, 2007 às 1:29 am
Olá Cristian !
Obrigado pelos elogios, também compartilho da idéia de que o debate entre opiniões diversas é saudável e me disponho a abrir um link de discussão sobre o assunto.
Estou editando meu blog, por isto este texto que foi o primeiro que publiquei deve ser lido se possível com os outros seguintes, então se terá uma idéia mais abrangente da minha opinião, e melhor contextualizada também.
Uma outra perspectiva que não pode ser ignorada é: “Por que os cristão se reuniam em casas, e não mais em templos ?”. A resposta é clara, é porque eles eram perseguidos, não havia como existir grandes reuniões. A partir do momento que não foram mais perseguidos, logo se ajuntaram em grandes congregações. Sob este ponto de vista, não podemos afirmar que a igreja se reunia em pequenos grupos só porque era melhor, mas sim porque era uma necessidade do momento.
Cristian, vamos analisar o contexto biblicamente
Atos
1.15 Naqueles dias levantou-se Pedro no meio dos irmãos, sendo o número de pessoas ali reunidas cerca de cento e vinte, e disse:
2 – 1 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
2 – 41 De sorte que foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas;
2 – 47 louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.
4 – 4 Muitos, porém, dos que ouviram a palavra, creram, e se elevou o número dos homens a quase cinco mil.
5 – 13 Dos outros, porém, nenhum ousava ajuntar-se a eles; mas o povo os tinha em grande estima;
8 – 1 Naquele dia levantou-se grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e da Samária.
9 – 31 Assim, pois, a igreja em toda a Judéia, Galiléia e Samária, tinha paz, sendo edificada, e andando no temor do Senhor; e, pelo auxílio do Espírito Santo, se multiplicava.
Os textos acima mostram que a igreja recém criada tinha períodos de paz alternados com perseguições esporádicas, movidas pelos judeus e não pelos romanos ainda, a igreja por vezes perseguida é a de Jerusalém, e com o martírio de estevão os discípulos exceto os apóstolos foram dispersos por toda Judéia, Samária.
2 – 46 E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração,
O verso 2.46 de Atos parece indicar que era costume diário se reunirem no templo, não podemos nos esquecer que até este momento os discípulos não eram vistos uma outra religião, como os pagãos por exemplo, mas uma dissidência do judaísmo a que os judeus chamavam de “seita dos nazarenos” enquanto eles mesmos se identificavam como sendo “do Caminho”, assim era normal freqüentarem o templo assim como Jesus o fez , ainda assim costumavam se reunir, no átrio externo, chamado pórtico de Salomão
5 – 12 E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E estavam todos de comum acordo no pórtico de Salomão.
Mas esse argumento se sustenta ? vejamos
Cenáculo – Lugar alto em Jerusalém onde Jesus e seus discípulos tomaram a Última Ceia. Tem esse nome porque ficava no segundo andar de uma casa de dois andares. Lucas 22:10-13
1.13 E, entrando, subiram ao CENÁCULO, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.
9.39 Pedro levantou-se e foi com eles; quando chegou, levaram-no ao CENÁCULO; e todas as viúvas o cercaram, chorando e mostrando-lhe as túnicas e vestidos que Dorcas fizera enquanto estava com elas.
20.7,8 No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão, Paulo, que havia de sair no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o seu discurso até a meia-noite. Ora, havia muitas luzes no cenáculo onde estávamos reunidos.
CASA
2.2 De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a CASA onde estavam sentados.
8 – 3 Saulo porém, assolava a IGREJA, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, os entregava à prisão.
12 – 12 Depois de assim refletir foi à CASA de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitas pessoas estavam reunidas e oravam.
Rm.16.5 Saudai também a IGREJA que está na casa deles. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Ásia para Cristo.
I Co 16.19 As IGREJAs da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Aqüila e Prisca, com a IGREJA que está em sua casa.
Cl. 4 – 15 Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia, e a Ninfas e a IGREJA que está em sua casa.
Fl.1 – 2 e à nossa irmã Áfia, e a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à IGREJA que está em tua casa:
Como vê, existe muito mais evidência neotestametária para se reunirem em casas que em templos. Isto sem citar os aspectos históricos, como citei no texto, antes de 313 d.C. não existe um único templo dedicado a igreja cristã.
Penso, no entanto, que a instituição é sim menos vulnerável à heresias. Não inabalável, mas menos vulnerável.
Também cito isso, na experiência cristã , e lá se vão quinze anos, a maioria das “besteiras” que ouvi não veio de simples e humildes servos, mas de seminaristas pastores e teólogos, pessoas que tinham conhecimento justamente para refutar os falsos ensinos, mas será que essa é apenas a minha experiência pessoal ?
Por incrível que pareça, embora no começo da era cristã tenha havido vários embates entre judaizantes, helenistas, gnósticos, etc o pior só aconteceu depois dos seminários, com a negação da divindade de Cristo, ou da trindade.
Não estou dizendo que não se deve estudar sistematicamente a bíblia, eu mesmo estou me preparando para ir pra um seminário, o que digo é que nada disso é garantia de sã doutrina.
Os apóstolos ficavam de olho nelas, e de certa forma davam conta do recado… Hoje, quem seriam estes apóstolos ? E como dariam conta de tantas “igrejas em casas” ? Podemos mesmo aplicar o mesmo modelo ?
Neste ponto talvez resida a minha maior critica, veja bem olhamos para a igreja primitiva com os olhos da igreja contemporânea, o que eu sugiro é que coloquemos os óculos dos cristãos primitivos e enxerguemos o mundo e a igreja como eles enxergavam, e neste ponto não vejo a necessidade de apóstolos, pastores, etc, não da forma como os entendemos hoje, ou seja como uma liderança hierárquica estabelecida de cima para baixo, porque neste caso teríamos que admitir que existem castas, classes de cristãos, o que acredito que existia era liderança estabelecida naturalmente a partir do exemplo dos mais antigos ou experientes, e pelo serviço prestado à igreja, a partir disto a liderança de alguém era apenas o reconhecimento de um fato
Tm. 2.5 Porque há um só Deus, e um só MEDIADOR entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem
Rm.1. 10 pedindo sempre em minhas orações que, afinal, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião para ir ter convosco, 11 Porque desejo muito ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais fortalecidos; isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado em vós pela fé mútua, vossa e minha.
II Co.1.24 não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas somos COOPERADORES de vosso gozo; pois pela fé estais firmados.
Como tendo dito, a idéia é “… refletir sobre o nosso modo de ser, ter, fazer e viver a igreja cristã, não se trata de julgar o passado, mas de refletir, de pensar e repensar a igreja para o presente e o futuro.”
Setembro 7, 2007 às 2:13 pm
Caro irmao,que a paz de Cristo esteja com voce.
Li recentimente seu comentario sobre se reunir. Ora o cristo nada falou de omde devemos nos reunimos, mas como devemos adora-lo[joao 4.24]. Nada contra , pois Ele nos liberta de todo tipo de escravidao, somos livres para adorar-lo em qualquer lugar,em casas,templos,em baixo de uma arvore,em galpoes, pois a salvaçao quem da e cristo.
Outubro 15, 2007 às 11:31 pm
A paz e bem por parte do nosso Senhor Jesus Cristo.
De fato é muito instigante tais indagações que vós ó irmãos vem fazendo, porém será que são necessárias? será que vão mudar a fé que temos em Jesus Cristo? não podemos ficar presos no cienticismo ou no pragmatismo, religioso ou não, porém quando olhamos para Jesus vemos um homem que colocava em prática aquilo que vivia, com questionamentos? sim! Jesus colocava as pessoas em “chek”(no sentido do jogo de xadres). para ver se as pessoas entendiam qual o sentido da vida, sua dignidade de pessoa humana etc. Com isso, Ele não questionava a fé das pessoas, mas ja sabia se era grande ou pequena, não queria saber se era judeu ou samaritana. Agora eu pergundo, tais questionamento estaria ajudando as pessoas a viverem melhor, “libertas” ou, prejudicando seus modos de pensar e de viver sua fé? Caberia a nós libertar tais pessoas dos guilhõs que elas vivem?
não deveriamos nós estarmos fazendo aquilo que Jesus nos mandou fazer: “amar”? sermos caridosos, servir sem ver aquem? ajudar o pobre, vestir o que está nú? Agora o tempo de ficarmos questionado espiritualidade não estariamos invadindo o tempo de fazer caridade? ou isso é caridade, indagar a fé dos outros? Não estou dizendo que não devemos questionar pois sou estudande de filosofia e o que mais faço é indagar. O que está em jogo é o que estamos oferecendo às pessoas! abrindo um parenteses: até que ponto a reforma protestante foi realmente “boa” à epoca vigente? será que realmente Lutéro foi interpretado da maneira que pensava? ou deturparam o pensava ele fazer? ou mudar? não sei! Agora com tanta coisa para fazer, vou eu ficar questionando: “Quem precisa de templos”? com todo respeito! Agora o que está em jogo é a liberdade, na qual não cabe a mim julgar! Agora, pois, tem questionamento que eu sei mexe com a gente, e que até é bom passar para outras pessoas, porém, o tal indagação quer falar para mim (“o eu”), o que pode ser mudado em mim atraves de tal questionamento. Uma célebre frase de Nietzsche é: “Torna-te aquilo que és”, e o que é o homem? agora Foucauld diz: “Não me peça para permanecer o mesmo”, e nós queremos ser o mesmo? que mudança nós propomos para nós mesmos? que universo eu quero mudar, ou qual devo mudar? o interior ou o exterior? será qual o templo que Jesus quer mudar? o templo de pedras? ou o templo humano, o “coração”? será que não estamos preocupando de mais com as coisas exteriores e, esquecendo das interiores? O que nos dá a “salvação”, o questionamento ou a fé do tamanho dum grão de mostarda? Sem mais, me despeço com grandes elogios de tais indagações e que bom saber que a religião tira o sono de muitas pessoas, e poder afirmar o que o filósofo Kikegaard fala: “O homem é um ser religioso”! Abraços!!!???!!!
Agosto 6, 2008 às 7:40 pm
existe uma diferença entre,templo e igreja; nós de a igreja de jesus cristo dos santos dos últimos dias por exemplo,cremos que:por meio do sacrifício expiatório de cristo toda humanidade pode ser salva por obediencia as leis e ordenanças do evangelho;e por isso nós temos os templos ,que são edifícios diferentes das capelas que frequentamos todos os domingos,já para nós o ensino familiar é o mais importante,é no lar que estudamos as escrituras,ensinamos a nossos filhos,e gozamos da inspiração e revelação vinda de deus;nos domingos nos reunimos com os irmãos para compartilharmos o que aprendemos, para que todos sejam fortalecidos mutualmente,nas capelas,já nos templos é onde fazemos convenios maiores,tipo o casamento para eternidade,o batismo pelos que já morreram,e o selamento das familias,e etc…convenios que nos levarão a exaltação se formos fiéis a eles.
Agosto 8, 2008 às 4:01 pm
Elder,
Bom como você deve saber nós da igreja protestante temos muitos pontos diferentes da sud, mas no quesito templos a grande maioria tende a concordar com voês, o meu questionamento é quanto a real necessidade disto uma vez que a igreja primitiva ou seja os primeiros discípulos reuniam-se sem templos por três séculos !
levando em consideração o fato de que uma estrutura, não só o edifício, mas a estrutura política se se forma muito em função dele acaba por afastar a igreja do seu rela objetivo para preocupações mundanas e, volto a dizer, políticas !
Que o Deus Jesus Cristo te ilumine !